segunda-feira

by pdrpinho

Contando Calorias

Sábado eu assisti pela vigésima vez um dos filmes favoritos. Dreamgirls, com Beyoncé, Jamie Foxx e Jennifer Hudson. Para quem não conhece o filme, um pequeno resumo. Effie White (J.Hudson) é uma grande cantora, que é passada para trás por não ser bonita o bastante para o showbiz. Seu namorado (e agente) a troca pela personagem Deena Jones, mais magra e menos talentosa. O filme inteiro se desenvolve no conflito entre o sucesso da mulher mais bonita e no fracasso da mulher mais talentosa.

Jennifer Hudson rouba a cena. Orignalmente considerada como uma coadjuvante, o filme realmente é sobre Effie White e sua luta para superar uma sociedade que a julga e ignora. A atriz foi nomeada ao Oscar por Melhor Atriz Coadjuvante, principalmente por causa dessa cena, digna de chorar:

Hudson merecidamente levou o Oscar, ganhando de indicadas como Cate Blanchett. Com um discurso emocionado e sincero, parecia genuínamente grata por estar ali, por ser reconhecida, por ter chegado lá. Lembrando que ela perdeu o American Idol, dois anos antes.

Eu queria gritar “YOU GO GIRL”

Confesso que sou muito fã desse filme. Me emocionei ao ver a cena que ilustra esse post pela primeira vez. Sou fã da atriz, da voz poderosa, da cena tão bem feita. Então, vocês podem entender minha decepção ao ver isso:

Sim, Jennifer agora é uma mulher magra. Jennifer é gata, lhinda, maravilhosa. Jennifer agora é a Beyoncé. Effie White agora é Deena Jones. Quero deixar claro que não tenho nada contra o fato de ela perder peso em si. Tenho muita coisa contra é o tipo de mídia que isso tem gerado. Era como se ela fosse uma celebridade B que agora subiu na vida. Como se ter ganhado um oscar nao significasse nada, mas arrasar num vestidinho sim. A manchete está lá, em negrito, deixando claro pra todas as mulheres que lerem: Querida, que bom que você é talentosa, agora vamos perder essa barriguinha? Sua aparência vale mais do que a sua inteligência, seu modelito vale mais do que o seu currículo.

Me cansa ver tanta gente assim. Se rebaixando a um espelho. Se definindo por um número numa balança. Eu só queria dizer que, Jennifer Hudson, você era linda, única. Agora você é mais uma.

Pedro Pinho